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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vênus e Adônis


Em dia que não se sabe quando. O mar revolto, embrulhado em mantas de retalhos de vidas ceifadas, aproximou-se da costa.

Das areias brancas imaculadas, salteada de pequenas conchas de formas jamais vistas. Trazia na sua espuma um novo ser.

Eu. A tua Vénus.

Nascida da alva espuma do mar fecundada pelo Céu. Recolhida e protegida numa concha de madrepérola que me aproximou do teu ser.


Não sabia naquela altura, como não o sei agora, o que me aproximou de Marte. Vermelho de fogo/paixão.

Quente. Amei-o. De corpo e desejo. Paixão alucinada revestida de tantos corpos incendiados de todas as chamas do Universo.
E amei. A ti.

Roubaste-me o coração, alma, corpo, vida.

Oh, Céus, como te amei, Adónis.Por ti, abandonei o Olimpo, esqueci deuses, esqueci quem era.

Voei na tua direcção, entrelaçámos as mãos e abraçámo-nos na busca do nosso Universo.

Aquele que ficava para além de nós e do mundo. Acima dos deuses e suas convenções.

Fomos corpos enrolados nas nuvens. Perdidos num tempo sem tempo. Num espaço vazio de tudo e cheio de nós.


Foste mãos que me percorreram cabelos, rosto, seios, pernas.

Foste chama que me penetrou e me deixou prostrada. Em doce letargia. Força que me derrubou do Olimpo e me amparou nos seus braços.

Fui pele, suor e sangue. Que te invadiu e te fez meu.

Corri em ti. Em mim.

Corpos unidos num só.

Fui boca, língua, desejos de um ser e não ser.
Até um dia.Perdi-te no abismo do ciúme.

Às mãos de Marte.

Hoje, procuro-te nas ondas do mar. Busco-te nas profundezas de oceanos. Sorrio-te nas manhãs de sol.Envio-te beijos pelas estrelas.Abraço a lua na esperança que ela me leve a ti.Peço aos rios que te saciem a sede.Sussurro ao vento que não te deixe esquecer o meu rosto.

Beijo a imagem de ti.

Boca. Corpo.

Eu, Vénus. Tu, Adónis.


Nós, Amor.

Um comentário:

  1. fera em lud
    parabens, continue assim q vai dar muitos frutos futuramente

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